Há mais de um ano, estava internada no Hospital Santa Maria, na medicina 1 A do 6º piso. Depois de mais um ciclo de quimioterapia, o meu sistema imunitário ressentiu-se e fiquei em isolamento. Numa tarde, decidi escrever um papel, o qual foi afixado, posteriormente, na porta do quarto onde estava.
Para entrar, sorriso nos lábios.
Para lá desta porta, lágrimas só de alegria.
Só entra quem é livre
Se andas à procura da Tristeza, não entres, ela não habita aqui!
Porque escrevi isto?
Foram várias as razões. Via as visitas de outros doentes passarem pela minha porta, lerem "ISOLAMENTO" na folha A4 colada no vidro da porta e tentarem perceber o que se passava por trás dela.
Havia quem pensasse que eu estava em isolamento por ter alguma doença contagiosa. Na certa, haveria quem me imaginasse triste e enraivecida com a Vida. Ou quem acreditasse que estava em "más condições"... Entre todos os pensamentos que surgiam quando liam "ISOLAMENTO", provavelmente, não haveria um que fosse tranquilo e sereno. Eu queria passar a mensagem de que eu estava bem e que não me via como uma coitada, uma vítima, uma doente.
Eu era uma pessoa livre, em cura, com um leque de oportunidades à minha espera uma vez que qualquer momento de crise é, em simultâneo, um tempo de oportunidades.
Aquelas pessoas que me visitavam pela primeira vez entravam sempre com um ar preocupado de quem não sabe o que vai encontrar. Achei que com aquele papel escrito, pela minha própria mão, iriam descontrair antes de entrarem. Iriam perceber que lá dentro não estava nenhuma estranha, apenas Eu. Claro que tinha um catéter, um frasco de soro, e o meu novo amigo -o rabdomiossarcoma - mas não deixava de ser Eu.
Para lá desta porta, lágrimas só de alegria.
Só entra quem é livre
Se andas à procura da Tristeza, não entres, ela não habita aqui!
Se tivesse assinado, teria sido assim:
De uma pessoa em cura.
Porque escrevi isto?
Foram várias as razões. Via as visitas de outros doentes passarem pela minha porta, lerem "ISOLAMENTO" na folha A4 colada no vidro da porta e tentarem perceber o que se passava por trás dela.
Havia quem pensasse que eu estava em isolamento por ter alguma doença contagiosa. Na certa, haveria quem me imaginasse triste e enraivecida com a Vida. Ou quem acreditasse que estava em "más condições"... Entre todos os pensamentos que surgiam quando liam "ISOLAMENTO", provavelmente, não haveria um que fosse tranquilo e sereno. Eu queria passar a mensagem de que eu estava bem e que não me via como uma coitada, uma vítima, uma doente.
Eu era uma pessoa livre, em cura, com um leque de oportunidades à minha espera uma vez que qualquer momento de crise é, em simultâneo, um tempo de oportunidades.
Aquelas pessoas que me visitavam pela primeira vez entravam sempre com um ar preocupado de quem não sabe o que vai encontrar. Achei que com aquele papel escrito, pela minha própria mão, iriam descontrair antes de entrarem. Iriam perceber que lá dentro não estava nenhuma estranha, apenas Eu. Claro que tinha um catéter, um frasco de soro, e o meu novo amigo -o rabdomiossarcoma - mas não deixava de ser Eu.
4 comentários:
:) Ensinaste-nos muito.
Beijo.
Será que esse papel ainda lá está?
Não sei se ele ainda lá está! Há muito tempo que não vou visitar aquele espaço.
Helder, esse papel foi colocado na sala dos enfermeiros do serviço onde eu costumava ficar: mediciana a no 6º piso.
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